sexta-feira, 5 de maio de 2017

FISIOTERAPIA VETERINÁRIA

A fisioterapia veterinária ou fisioterapia animal surgiu inicialmente como uma adaptação de técnicas utilizadas na fisioterapia humana utilizadas principalmente em cavalos.
Com os anos, estas técnicas passaram a ser estudadas e utilizadas também em pequenos animais.
Atualmente a fisioterapia animal em cães e gatos já está difundida na classe médica, com publicações e trabalhos científicos comprovando a eficácia das suas técnicas, já adaptadas ou especificamente desenvolvidas para estes.





Esta linda menina é a Neftis, é uma gatinha Persa que caiu de uma cómoda e apareceu na clínica veterinária de Santo André mal conseguia andar, seguido pelos tratamentos médicos, passou para os meus cuidados para iniciarmos a fisioterapia de electroestimulação.

O que é a eletroterapia?

A eletroterapia é o uso de correntes elétricas para aliviar a dor ou promover o fortalecimento muscular.

A eletroterapia trabalha na recuperação funcional após a lesão nervosa periférica que está relacionada a fatores intrínsecos e extrínsecos ao sistema nervoso periférico, tais como a gravidade da lesão e a condição dos órgãos-alvo. A atrofia constitui uma das principais alterações do músculo após a lesão nervosa e, uma vez instalada, atua como barreira ao crescimento do axónio* durante a reinervação muscular.




*Axónio - É uma parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos que partem do corpo celular, até outro local mais distante, como um músculo ou outro neurônio.




TENS Estimulação elétrica transcutânea para alívio de dor.

FES Estimulo elétrico funcional para fortalecimento muscular.

Lontoforese a aplicação de alguns medicamentos através de corrente elétrica.

O uso da electroestimulação é rotineiro no campo da fisioterapia e tem o objetivo de minimizar ou impedir a atrofia muscular e, assim, favorecer a recuperação da lesão nervosa periférica.

A lesão nervosa periférica é uma ocorrência comum na prática de clínica de fisioterapia. Em geral, é decorrente de traumas ou de acidentes com objetos penetrantes, por quedas e acidentes industriais.

O comprometimento da transmissão dos impulsos nervosos é uma das consequências desse tipo de lesão nervosa, que conduz a diversas alterações no sistema muscular, tais como atrofia muscular, proliferação do tecido conjuntivo, mudanças na excitabilidade muscular e modificações nas células satélites. A perda do suprimento nervoso promove a diminuição da atividade muscular, que, por sua vez, desencadeia uma resposta adaptativa para a remodelação do tecido muscular, marcada pela degradação das proteínas contráteis do músculo. Como resultado observa-se diminuições da massa muscular, do diâmetro da fibra e da produção de força, as quais, em conjunto, caracterizam a atrofia muscular.

A condição do músculo no momento da reinervação é determinante na recuperação funcional, tendo em vista que o músculo atrofiado atua como barreira ao crescimento axonal e impede que o desenvolvimento e a maturação axonal ocorram.





Nesta primeira imagem, temos então a nossa Neftis, que derivado à queda mencionada a cima, ficou com atrofia muscular e juntamente com os donos decidimos começar a fazer a fisioterapia por electroestimulação.




Neste caso da Néftis utilizamos a ‘TENS’ para a coluna cervical e anca e a ‘FES’ para a as coxas e cauda.


Cinesioterapia:
São alongamentos e exercícios terapêuticos. Essenciais no processo de reabilitação, as técnicas são adaptadas para a fisioterapia veterinária. Os exercícios podem ser ativos, quando o animal executa o movimento, ativos assistidos ou até mesmo passivos, quando o fisioterapeuta faz o movimento. É amplamente te usado em animais com problemas ortopédicos e neurológicos, sendo que podemos usar bolas, pranchas, pistas, cones e outros acessórios para nos ajudar nos exercícios.
No fim de casa sessão de fisioterapia, procedemos a uma massagem para relaxamento dos músculos e bem-estar do animal.

A electroestimulação é indicada principalmente para:

·         - Atrofia muscular por desuso
·         - Atrofia muscular de origem neurogénica
·         - Atrofia por hérnias discais
·         - Potenciação em cães de desporto
·         Atrofia muscular derivado a quedas e/ou acidentes


Por fim deixo vos com um vídeo da Néftis, facilitado pela dona, a mostrar o antes e o depois da fisioterapia de electroestimulação.





Artigo redigido por Marina Ascenso - Auxiliar Veterinária 







segunda-feira, 24 de abril de 2017

COMPRAR OU ADOPTAR UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO


Muitas são as opiniões no que diz respeito à compra ou adopção de animais de estimação. A aquisição de um PET seja ele cão, gato ou de outra espécie, exige um grande sentido de responsabilidade. A longevidade de um animal de estimação pode ser de cerca de 5 anos no caso dos coelhos ou até 20 anos no caso de alguns gatos. Por este motivo a decisão terá que ser tomada em consciência e nunca de forma caprichosa ou impulsiva.

Na minha vida profissional e enquanto médica veterinária sou questionada regularmente sobre este assunto.



Drª, acha que devo comprar ou adoptar um novo membro para minha casa?

A minha opinião é muito particular, pois muitas vezes ouço dizer “jamais daria dinheiro por um cão, com tantos animais abandonados”.
Efectivamente a adopção de um animal deveria ser a prioridade. No entanto, existem muitas pessoas que pretendem escolher um animal de estimação de acordo com determinadas características que se coadunam com a personalidade, com o modo de vida, a disponibilidade, o espaço, a presença de crianças, a existência de determinadas doenças de alguns membros da família, etc.


Muitas vezes, quando a aquisição é menos bem equacionada, surgem dissabores. Pois pretendiam que aquele animal em particular tivesse outras características. Por exemplo: ser mais meigo, mais independente, mais calmo, com menos pêlo, de menor porte, menos barulhento, enfim, um vasto leque de razões que acabam por diminuir a afinidade de um tutor com o seu PET.

Na base do amor e da partilha está sempre uma empatia inicial e uma afinidade, seja com as pessoas ou com os animais. É com esta base é que devemos construir uma relação duradoura e com muito amor com os nossos PETS.
Deste modo, louvo aqueles que adoptam, e que o fazem em consciência, resgatando um animal que tanto necessita de carinho e cuidado. Admiro também aqueles que compram e despendem de quantias grandes para ter um animal com o qual se identificam.

Ao longo de 20 anos de profissão, a minha percepção baseia-se na base de uma relação duradoura com muito amor e partilha entre tutor e PET. Neste contexto, está sempre uma escolha inicial bem definida e consciente.

O gosto e o amor por algo vão-se construído ao longo do tempo. É na cumplicidade, companheirismo e complience que se vão fortalecendo os laços entre tutores e PETS, a ponto de se transformarem em membros da família, deixando de ser PETS para serem filho, irmão, etc.

 Artigo redigido por Isabel Jorge - Médica Veterinária 



terça-feira, 11 de abril de 2017

PORQUÊ VACINAR?



O seu animal tem as vacinas em dia?

Sabia que pelo facto do seu animal estar sempre em casa e não contactar com outros animais, essa condição não é suficiente para lhe conferir protecção contra doenças infecto-contagiosas?
Nós, enquanto donos, podemos ser portadores de vírus e bactérias que lhe podem causar doenças. Basta imaginar a quantidade de microrganismos que podemos trazer connosco nas solas dos sapatos!
 E se se trata de um animal muito jovem ou já idoso, ainda se torna mais importante a prevenção, pois a sua imunidade poderá estar comprometida.
Doenças como a Parvovirose e a Panleucopénia, que afectam cães e gatos (respectivamente) são extremamente graves e podem prevenir- se com um gesto tão simples como vacinar.
Se gosta do seu animal e se se preocupa realmente com ele, não arrisque, 

VACINE!

Artigo redigido por Ana Luísa Nunes - Médica Veterinária 

segunda-feira, 13 de março de 2017

LEISHMANIOSE - DICAS, DÚVIDAS E ALERTAS

A leishmaniose é uma doença causada por um parasita – leishmânia- transmitido através de um inseto “flebótomo” que é semelhante a um mosquito. Esta doença é apenas transmitida por este tipo de insecto (apenas pelas fêmeas do flebótomo) e não por qualquer um. No entanto existem estudo científicos recentes que comprovam que a leishmaniose também pode ser transmitida por carraças.
Na europa existem cerca de 2,5 milhões de cães infectados com esta doença.




DÚVIDAS
ESTA DOENÇA TEM CURA?
Não, esta doença não tem cura. Existe actualmente vários protocolos terapêuticos que podem ser mais ou menos eficazes, dependendo do grau de infeção do animal e também do grau de competência do seu sistema imunitário. Normalmente os animais infectados necessitam de uma terapêutica para a vida, com períodos de agudização da doença na maioria dos casos. No entanto casos existem, em que o animal supera todos os sintomas clínicos, apesar de persistir infectado.
O MEU CÃO COM LEISHMANIOSE PODE TRANSMITIR-ME A DOENÇA?
Não, os animais infetados não transmitem a doença directamente. No entanto esta doença é uma zoonose, o que significa que é comum aos animais e ao ser humano.
Em Portugal são notificados todos os anos centenas de novos casos em adultos e crianças. É uma doença de declaração obrigatória. A Incúria dos tutores dos animais  com leishmaniose que se recusam a fazer tratamento ou que o fazem de forma temporária , estão em grande escala a contribuir para que o reservatório dos animais com esta doença aumente exponencialmente. Desta forma o risco é acrescido para quem convive de  perto com estes animais. A forma de transmissão desta doença necessita sempre de um vector, flebótomo.
 Portanto directamente um animal nunca pode transmitir a doença, ainda que acidentalmente contacte com sangue dele.
QUAL A FORMA MAIS EFICAZ DE PREVENIR ESTA DOENÇA?
A forma mais eficaz é o sinergismo de vários procedimentos. Ou seja, deve vacinar o seu pet e associar um produto de repelência. Atualmente existem 2 tipos de vacinas para esta doença, no entanto estas vacinas (parasitárias) não tem a mesma eficácia que as vacinas víricas.
Por este motivo devemos associar sempre um produto que promova a repelência de insectos. Estes produtos existem em forma de pipeta e coleiras.
Existe ainda uma outra forma de prevenção que é um fármaco que estimula o sistema imunitário “ Leisguard”.


                                              

QUALQUER PIPETA SERVE PARA FAZER A REPELENCIA DESTE TIPO DE INSECTO?
Não, apenas as pipetas que tenham na sua composição piretrinas é que fazem a repelência. Facilmente os tutores são induzidos em erro em relação á aplicação das pipetas achando que qualquer marca serve para este fim. Para além de serem poucas as marcas que de facto fazem repelência, a sua eficácia efetiva para este fim é muito mais curto do que para a prevenção das carraças e pulgas. Os tutores dos animais colocam as pipetas normalmente com o intervalo de 4 semanas, quando a maioria das pipetas necessita ser colocada de 3-3 semanas para a repelência dos insectos.


A COLEIRA É EFICAZ PARA IMPEDIR QUE OS INSETOS PIQUEM?
Actualmente as coleiras que estão aprovadas para fazer repelência são a “ sacalibor” e a “seresto”,tendo esta ultima mais tempo de vida útil.



A VACINA DA LEISHMANIOSE PODE SER ADMINISTRADA A QUALQUER CÃO?
Não.
Não, pode ser administrada a fêmeas gestantes e lactantes e a cachorros com menos de 6 meses.
Para ser administrado a qualquer cão é necessário realizar um teste de sangue prévio de modo que garanta que o referido animal não está infectado. O teste de sangue que nos indica os níveis de anticorpos, (teste diagnóstico quantitativo), ou apenas se tem ou não a doença (teste de diagnóstico qualitativo), pode ser realizado apenas como despiste da doença.
CASO NÃO QUEIRA DAR A VACINA AO MEU PET POSSO FAZER O DESPISTE DA DOENÇA?
Sim claro, pode e deve fazer o despiste ainda que não tenha a intenção de o vacinar.
Neste caso está a fazer um despiste da doença, ou um diagnóstico precoce. Pois neste tipo de doença, o diagnóstico atempado e o início da terapêutica ainda numa fase inicial faz toda a diferença, na longevidade e qualidade de vida do animal.
SE O MEU CÃO FICAR INFECTADO, OS SINTOMAS SÃO LOGO VISIVEIS?
Não, neste tipo de doença leva a alguns meses até que o animal venha a manifestar os sintomas. Existem relatos de animais que desenvolvem os sintomas meses e até anos mais tarde, em relação ao contágio inicial. Estes estudos são feitos em animais que se deslocam de um país endémico para outro onde não existe leishmaniose.

ESTA DOENÇA PODE MATAR O MEU PET?
Sim, esta doença provoca uma série de alterações que a maior parte das vezes culmina com a morte do animal.
No entanto quando esta doença se manifesta mais como “ Leishmaniose cutânea”, ou seja os sintomas da doença são mais a nível da pele, por vezes os órgãos internos ficam menos afectados, estes animais tem uma longevidade maior, versos os animais que tem uma Leishmaniose visceral.
A Leishmaniose visceral afecta os órgãos internos (insuficiência renal, hepática, esplenomegalia, anemia etc), os animais apresentam-se sem sintomas exteriores, mas com uma qualidade de vida muito menor e normalmente com uma longevidade muito curta. No entanto um animal apresenta muito maior risco em termos de saúde pública  tendo uma leishmaniose cutânea do se tiver uma leishmaniose visceral. Pois a forma de propagação da doença é muito mais fácil.

  
DICAS

- Vacinar o seu pet
- Evitar passeio pela manhã e ao anoitecer (altura do dia em que existe maior risco)
- Evitar passeios junto de zonas onde existam águas estagnadas.
- Usar um produto externo de repelência adequado respeitando rigorosamente o tempo de vida útil para a repelência de insetos.
- Antes de sair de casa para passear o seu pet, passar pelo corpo toalhitas apropriadas que promovem repelência de insectos.
- Administração de medicamentos que reduzem o risco de contrair Leishmaniose a partir dos 2 meses de idade.
- Assegurar um bom estado de saúde do animal, reforçando o seu sistema imunitário (através de uma boa alimentação, vacinação e desparasitação)
- Caso se desloque para regiões endémicas, reforçar a prevenção com produtos externos (pipetas ou coleiras) de aplicação recente.
- Quando do regresso de uma região endémica, administração de medicamentos que reforcem o sistema imunitário.
- Se o seu pet não é vacinado, fazer o despiste da doença anualmente.
-Caso o seu pet esteja infectado com Leishmaniose, fazer a titulação de anticorpos de forma regular, para assegurar que a doença esta controlada.
-Caso o seu pet necessite ser medicado para esta doença, siga as indicações médicas do seu médico veterinário, evitando assim que o seu cão seja um foco de infecção para outros animais.





ALERTAS

Lembre-se que a Leishmaniose é uma doença grave que pode conduzir á morte do seu animal.
Um cão com uma leishmaniose não controlada é um foco de infecção para toda uma população (animais e pessoas).
Atualmente a vacina da Leishmaniose é uma das vacinas que faz mais sentido, no programa de vacinação de um cão.
Lembre-se se o seu cão contrair a doença, em termos económicos os gastos são muito maiores do que se optar pela prevenção.

Um cão com leishmaniose apresenta uma morbilidade muito elevada, e como tal uma qualidade de vida muito reduzida.

O controlo desta doença passa pela prevenção.

Informe-se connosco para que possamos apresentar-lhe a melhor forma de prevenção.

Artigo redigido por Isabel Jorge - Médica Veterinária 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Alimentação seca ou húmida: Qual a melhor para o seu amigo de quatro patas?



Precisa de decidir sobre um alimento para o seu animal de estimação, mas o que escolher? Cordeiro,pato, frango ou salmão? Com ou sem cereais? Húmidos ou secos?  
Hoje em dia existem inúmeras opções no mercado que pode parecer confuso, mas não é tão complicado quanto parece.

Algumas pessoas decidem com base na experiência anterior com animais de estimação, alguns baseiam a sua decisão na opinião dos amigos, outros nos conselhos do criador e outros ainda nas recomendações do médico veterinário.
E depois há a influência de centenas de anúncios de televisão e revistas, cada um dos quais afirmando ser o de melhor qualidade. Então o que escolher, dentro das variadíssimas opções?
Vamos esmiuçar esta questão para que possa tomar uma decisão informada e consciente relativamente à escolha de uma alimentação para o seu cão.


Alimentação húmida: prós e contras



Nem todos os cães bebem a quantidade de água que deveriam. Alimentos húmidos podem ser uma boa fonte de hidratação, se o seu animal é do tipo que não bebe a quantidade adequada de água. E depois há as considerações de saúde que podem tornar os alimentos húmidos uma opção prática. Animais mais velhos que perderam alguns dos seus sentidos olfactivos podem apreciar mais comer um alimento que tem um aroma rico e sabor, tais como alimentos húmidos.
Esta é também uma boa alternativa para quando um animal está doente e não pode cheirar tão bem ou quando está com "apetite caprichoso". Isto irá assegurar que eles irão receber as proteínas, vitaminas e minerais de que necessitam para manter sua saúde. Alimentos húmidos são uma boa opção também para cães com falta de dentes, mandíbulas mal alinhadas, ou bocas menores.

Há vários inconvenientes para o alimento húmido. Alguns cães mais trapalhões, fazem muita sujidade ao comer alimentação húmida e aqueles com uma predisposição para desenvolver problemas dentários, tártaro e mau hálito terão de ter um acompanhamento odontológico mais atento. A alimentação húmida, uma vez aberta, perde imediatamente o prazo de validade que tinha. Precisa ser fechada e refrigerada e consumida rapidamente antes que se estrague. Em alguns casos, os alimentos húmidos são mais caros que os secos. Dependendo da qualidade da comida (e você vai querer escolher o melhor alimento de qualidade) o alimento húmido pode ser mais caro do que o alimento seco, e deve ser comprado em pequenas quantidades de cada vez.


Alimentação seca: prós e contras


O tipo mais conveniente de alimentos, para o armazenamento e para a alimentação, é alimentação seca. A comida pode ser deixada de fora para o animal de estimação comer ao seu próprio ritmo, sem medo de deterioração. Na verdade, muitos donos de animais apreciam a conveniência de encher uma tigela com comida suficiente para alimentar o animal de estimação para o dia inteiro.
Os alimentos podem ser deixados de fora por horas, sem haver o perigo de estragar. Os alimentos secos são mais fáceis de armazenar - uma grande caixa de plástico com uma tampa apertada/hermética é geralmente suficiente para manter os alimentos frescos e seguro contra insectos e roedores (e de animais de estimação) - e é mais economicamente rentável quando se tem vários animais de estimação.
Alimentação seca também pode ser utilizada como uma recompensa eficaz no treino de educação e como um suplemento de saúde dentária. Alguns alimentos secos são especialmente formulados e possuem formatos que, aquando do movimento de mastigação, auxiliam na limpeza dos dentes.
Já existem no mercado alimentações especificas para o efeito.


Obviamente que os alimentos secos não oferecem tanta água como alimentos húmidos, algo que se torna mais importante à medida que um animal envelhece,também muitíssimo importante quando um animal está doente e em climas secos e quentes. Nesses casos, uma dieta alimentar seca pode ser mais prático.

A decisão final

Basicamente, qualquer uma destas opções deve satisfazer as exigências nutricionais do seu animal de estimação desde que sejam bem equilibradas e feitas com ingredientes de qualidade. É apenas uma questão de qual será melhor para o seu animal de estimação, a longo prazo e que se adequa ao seu estilo de vida.
Outra opção é escolher húmida e seca; misturá-las juntas na mesma taça ou dando a comida húmida como uma recompensa ocasional. Fale com o seu veterinário, se tiver alguma preocupação, uma vez que pode haver considerações específicas para a raça do seu cão ou idade.


Artigo redigido por Mónica Oliveira - Auxiliar Veterinária 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Défice Cognitivo - Do que se trata?

Défice cognitivo – que se trata?


É uma síndrome neuro-degenerativa que afecta animais idosos e caracteriza-se por défices na aprendizagem e na memória, desorientação e alterações nas interacções sociais e nos padrões de sono. Existe uma prevalência de 14-22% em cães com mais de 8 anos de idade e em gatos entre 11-14 anos esta prevalência é de 28%. Em animais com mais de 15 anos a prevalência é de até 50%.


Que sintomas podemos detectar nestes pacientes?




Alterações na interacção social:
- menor comportamento de saudação
- não procura a atenção dos donos
- não reconhece os elementos da familia
- não brinca com o dono ou os outros animais
- diminui a capacidade de resposta a estímulos
- agressividade

Alteração do padrão do sono
- caminha, ladra ou gane durante a noite

Desorientação
- perde-se em locais familiares
- nao consegue sair de locais estreitos
- coloca-se no lado errado das portas
- fixa o olhar no horizonte
- vagueia sem rumo

Alteração no comportamento em casa:
- eliminações inadequadas em casa
- esquece ordens conhecidas


Diagnóstico


O diagnóstico é feito baseado na história e sinais clínicos, sendo necessário descartar doenças metabólicas e/ou doenças estruturais, realizar hemograma e urianálise, radiografia torácica e ecografia abdominal.






Tratamento


Para além do tratamento farmacológico deve-se apostar na terapia ambiental. É fundamental que os proprietários adaptem o ambiente onde o cão vive á nova etapa pela qual está a passar, com absoluta compreensão, facilitando a sua adaptação à casa (tal como foi feito na etapa de cachorro):
- maneio nutricional: incorporar na dieta antioxidantes, co-factores mitocondriais, ácidos gordos como o Ómega 3. Recorrer a dietas específicas;
- aumentar a frequência de saídas para aumentar o exercicio e evitar problemas de eliminação inadequada (urinar em casa).
- não aplicar castigos nem exigir a realização de comportamentos que antes realizava com normalidade
- não deixar em ambiente escuro durante a noite se sente ansiedade
- proporcionar aos cães uma rotina
- aumentar os locais de descanso
- facilitar rampas, evitar alterações de mobiliário
- disponibilizar esquemas de exercício e rotinas






 Prevenção

Podemos prevenir precocemente o desenvolvimento dos sintomas da disfunção cognitiva ao prevenir os problemas neurológicos relacionados com o envelhecimento nos nossos animais:
- utilizando dietas de gama alta ricas em antioxidantes
- manter um nível razoável de actividade e exercício para evitar o sedentarismo
- realizar check-ups veterinários frequentes
- manter um ambiente em casa tranquilo e adequado à idade dos animais, uma vez que a falta de compreensão por parte dos donos pode gerar neles estados de ansiedade que pioram a sua condição


O COMPROMISSO DOS PROPRIETÁRIOS É CRUCIAL PARA PODER MELHORAR A QUALIDADE DE VIDA DESTES CÃES

Artigo redigido por Sara Fiorenzo - Médica Veterinária 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

PARASITOSES INTERNAS

PARASITOSES INTERNAS





Existe uma grande variedade de parasitas que podem afetar de forma significativa a saúde do nosso animal de companhia .
Quando não tomarmos as precauções necessárias ,as parasitoses podem ser  transmitidas aos seres humanos.

 Esta fotografia parece  familiar

                                     Cachorro com hiperparasitismo                                    


Como pode o cão/ gato ficar infectado?

A infestação do animal pode ocorrer via oral pela ingestão de ovos, através da via galactogénica em que há ingestão de leite materno parasitado ou através da placenta (via placentária), ou via transcutânea através da pele.

Os ovos ou larvas imaturas dos parasitas atingem o estado adulto no sistema digestivo do cão ou do gato, onde se alimentam, reproduzem e libertam ovos que são eliminados nas fezes.


Como sei se o meu cão/gato tem endoparasitas?

Sintomatologia comum :
- perda de apetite
- perda de peso,
- fezes diarreicas,
- fezes com sangue
- obstipação,
- eliminação de parasitas nas fezes ou no vómito,
- sinais de pneumonia
- distensão abdominal
- prurido anal

Quando devo desparasitar o meu animal de estimação?

A desparasitação interna deve ser efectuada de forma sistemática e regular, de acordo com a rotina definida pelo médico veterinário.





Por norma, o plano de desparasitação dos cachorros e gatinhos é o seguinte:
-A partir dos 15 dias de idade deverá ser feita de 15-15 dias até aos 2 meses
-depois mensal até aos 6 meses
- A partir dos 6 meses de idade a desparasitação deve ser efectuada uma, duas ou três vezes por ano, dependendo do ambiente onde o animal se encontra.


No caso das cadelas e gatas gestantes :







As fêmeas gestantes devem ser desparasitadas a partir do 1º mês de gestação. Após o parto, devem ser desparasitadas na mesma altura que as crias.


Todos os animais adquiridos recentemente devem ser de imediato desparasitados.
Se houver mais animais na casa, estes também devem ser desparasitados para evitar contágios




Que desparasitante devo usar?

Para escolher o desparasitante mais eficaz para controlar a infestação do seu pet ,podemos realizar um exame coprológico para identificação de parasitas nas fezes e contagem de ovos
Só assim é possível saber se o animal está ou não parasitado, identificar os parasitas e escolher o fármaco mais eficiente para controlar essa infestação.
Existem diversos desparasitantes no mercado,usualmente caracterizados por um largo espectro de ação. A dose a administrar deve ser adaptada de acordo com o peso do animal.


Os desparasitantes apresentam-se sob a forma de comprimidos, pasta, spot-on ou injectáveis .

Os desparasitantes em spot on proporcionam uma desparasitação contínua ao longo de um mês ,enquanto as restantes formas de desparasitação conferem uma desinfestação momentânea, interrompendo o ciclo do desenvolvimento do parasita cada vez que se repete a administração.

Quais os parasitas que podem infestar com mais frequência o cão e o gato?

Os endoparasitas responsáveis pelas infestações dos nossos animais  classificam-se em diferentes classes :

-Nemátodes e Céstodes

Nemátodes:

-São conhecidos por formarem  um grupo conhecido popularmente  por vermes redondos (lombrigas)
-Possuem corpo não segmentado e revestido de cutícula resistente e quitinosa. O seu corpo cilíndrico, alongado e não segmentado exibe simetria bilateral.

Os nossos animais de companhia são infestados com maior incidência por :

Ancylostomídeos (infestação em cão e gato)


Ancilostomo


-Ascarídeos (Toxocara canis (cão), Toxocara cati (gato) e Toxocara leonina (cão e gato) que afecta sobretudo cachorros e gatinhos com menos de 3 meses de idade;


Ascarídeo


Tricurídeos (Trichuris vulpis )(cão)



Céstodes:
-São conhecidos por vermes de corpo achatado multisegmentado, genericamente designados Ténias. Possuem uma cabeça arredondada (escólex) que permite ao verme a sua fixação à mucosa intestinal dos animais parasitados por meio de ganchos e/ou ventosas altamente musculadas.

Os nossos animais de companhia são infestados com maior incidência por :

Echinococus 


Ténias


Dipylidium



A desparasitação interna é um procedimento extremamente simples, requer apenas a criação de rotinas pelo bem estar do seu animal e da sua família.


Artigo redigido por Ana Luísa Nunes - Médica Veterinária